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TROPICASHER,   Torá com Gostinho Tropical!

Toralizando este nosso grande e belo Brasil Tupinikosher.

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ROSH HASHANÁ: É MUDANDO QUE A GENTE MUDA!

Quando eu era criança pequena lá no Bom Retiro, aprendi que Rosh Hashaná é o começo do ano, uma espécie de Reveillon sem estouro de Champanhe e Peru a California. Acho que é por isso que tanto eu quanto à maioria dos meus amigos preferiam celebrar o começo do Ano civil, pois além da gente poder ficar acordado até mais tarde, era mais gostoso e a gente sabia o que significava.   Tudo isto mudou quando me tornei uma criança grande lá em Haifa,   Israel, e tive o privilégio de estudar num Beit Midrash (casa de estudos de Torá). Neste caso, o Beit Midrash do Technion, onde eu estudava, e que era encabeçado pelo Rabino Dr. Eliahu Zini, Shlita. Lá aprendi que o ano judaico tem nada menos que quatro começos e que Rosh Hashaná é apenas um deles. Temos também o Ano Novo das Árvores (Tu Bishvat) e outros.  

Pra que serve Rosh Hashaná, então? O próprio nome indica: Rosh = cabeça; Shaná = mudança. O ano se chama Shaná em hebraico porque a cada ano temos de mudar, de evoluir, de repensar nossas vidas. Em Rosh Hashaná temos o dever de mudar em primeiro lugar o que está dentro de nossas cabeças, repensando nossas atitudes para com nós mesmos, como estamos nos tratando, se nos respeitamos física e moralmente, para depois alargarmos este círculo e abrangermos nossos familiares mais próximos, mais longínquos, amigos, colegas de trabalho, comunidade, país e acima de tudo,   revermos nosso relacionamento com Deus.  

Por isto tocamos o Shofar nos dois dias de Rosh Hashaná: quem sabe um barulhão desses faz pipocar alguma coisa dentro de nossas mentes e nos estimule a questionar o ano que passou, fazendo um check-up geral de corpo e alma, para recomeçar a vida de cabeça mudada.   Mudar a cabeça é a tônica de Rosh Hashaná. Pois se não mudarmos de atitude, de nada adianta estudar, praticar, ler um montão de livro de Auto-ajuda, fazer exame de chakra e o escambau. Rabi Nachman de Breslav ensinou que podemos mudar toda a nossa visão de vida num piscar de olhos.

A primeira a talvez a principal mudança do nosso modo de pensar em Rosh Hashaná é adquirir mais humildade, então comemos coisas doces desde a primeira noite de Rosh Hashaná até o último dia de Sucót, que emenda com Simchát Torá. A pessoa humilde tem sempre um gosto doce na boca, ao passo que o orgulhoso está sempre em estado de amargura. A pessoa doce sente-se sempre bem com o sucesso alheio e não inveja os outros, pois sente o gosto doce da vida em sua mente e seu coração. Humildade no Judaísmo não é andar cabisbaixo e meditabundo, mas estar feliz com o que tem, amar a Deus e aos homens e encarar a vida com objetividade.  

Rosh Hashaná é na verdade o verdadeiro Iom Kipur, com a vantagem de termos a Mitsvá de comer um monte de coisa boa e estar recheado de gente que a gente gosta em volta da mesa. É em Rosh Hashaná que Deus julga o mundo, todas as criaturas,   sem tirar nem por. Em Iom Kipur é dado o veredicto. Daí a gente entende que Deus não deseja ao homem uma vida pobre e sofrida mas farta e alegre, pois nos ordenou iniciar o Ano com roupas novas, bonitas, orações lindas na Sinagoga, encontrar todos os amigos e parentes desejando tudo de bom e do melhor a cada um deles e sentar-nos à mesa como reis, porque em Rosh Hashaná, o Rei dos reis dos reis, como Deus também é chamado, "desce do Céu para nos visitar" e não pega bem receber um rei vestido que nem um shleper, sujo e morto de fome.  

Rosh Hashaná encarna o próprio sentido da vida segundo a Torá: mudança (o objetivo) e bonança (o meio para alcançá-lo).   Os sofrimentos e tribulações pelos quais passamos, são por vezes testes, por outras punições educacionais e em certos casos uns presentes para evitar algo pior. O que Hashem quer do homem é que ele realmente viva bem,  material e espiritualmente. E Ele reservou abundância para todas as criaturas. Mas para obtermos o que queremos,   temos de obedecer à ordem do universo estabelecida por Deus. E isto é fácil fazer: é só estudar a Torá e seguir suas Mitsvót.

O resto Deus faz.

Shaná Tová u Metucá, com gosto de quindim e batida de maracujá!  

Paulinho Rosenbaum