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MEGUILIGHT LEIA MEGUILÁIT |
A EDIÇÃO LIGHT DA MEGUILÁ DE PURIM NO MELHOR ESTILO TROPICASHER
by Paulinho Rosenbaum
Introdução
Hoje em dia tudo tem que ser light, diet, zero, fácil, numas. Senão, não!
Ou seja, os neurônios do homem do século LVIII (estamos em 5767) estão tão massacrados pela informação, que às vezes não entra muita coisa mesmo. Mas não é por isso que chamamos nossa Meguilát Esther de Meguilight.
É porque Light também significa LUZ.. A história de Purim é uma história que traz dentro dela muita luz, hora oculta, hora desoculta. Então vamos lá:
Capítulo 1:
Tinha um rei na Persia (Iran de hoje) que se chamava Achashverosh, mas como ninguém consegue pronunciar este nome com a boca cheia de ferfale, vamos chamá-lo carinhosamente de Achashva.
O Achashva era anti-semita e também um pazzolino. Ele mandou fazer uma Mega boca livre para mostrar que era o bom, mesmo com todo o mundo sabendo que ele era o ruim. Daí chamou o povo judeu para conferir o lance porque se judeu fala que é bom todo o mundo vai. A comida era casher, boa e grátis. O vinho era casher, bom e grátis. Desconfie.
Deu um rebu danado porque o rei começou a se estranhar com a rainha Vashti e deletou ela da historia logo no capitulo 1.
Daí o Achashva mandou baixar um decreto que se fosse hoje ele estava sendo processado em 52 varas diferentes: que os homens tem que mandar e as mulheres tem que obedecer. Grande Achashva! Quer dizer... ora, que machista!
Capitulo 2
Daí o Achashva ficou viúvo e bolou um Miss Pérsia para escolher uma nova rainha. Veio mulher de tudo que é canto e jeito, dando o maior impulso na industria cosmética do mundo antigo (sério mesmo, está na Meguilá). Imagina se não ia ganhar a Esther, a menina idish mais linda das 127 províncias de entonces. Ganhou disparado. Mas como Miss tem que ter mãe e Esther não tinha, foi adotada por Mordechai, Rabino Chefe de Israel exilado para a Persia e que cuidava dela e que disse a ela para não dizer que era idish, que era para pegar o Achashva de solapa no futuro (foi a primeira espiã secreta do mundo). Por isso o Mordechai ficava espreitando o tempo todo a vida da Esther e do palácio. Ele parece que sabia que uma hora ou outra ia dar a maior zica e poderia sobrar para a Esther e os judeus. Agora olha só isso:
Um dia, dois caras resolveram dar um fim no Achashva.
Eis o diálogo deles grampeado pela equipe de noticias bíblicas do Tropicasher, já traduzido do persa de periferia:
- E aí, malandro, vamos abotoar o paletó de madeira no Achashva?
- Se liga, Mané, o cara é mais guardado que resultado de desfile de Escola de Samba.
- Xá comigo, eu conheço as paradas do palácio e sei onde o papagaio torce a goela.
- Então vamos aproveitar que ninguém fala nossa língua e encomendar a múmia do Achashva.
Mal sabiam os dois que Mordechai conhecia todos os idiomas e dialetos da época. Ele imediatamente bateu para a Esther, que bateu para o Achashva em nome do primo e o rei pegou os dois malandros na esquina da amargura, despachando-os pro andar de baixo.
Capitulo 3
Agora entra em cena o palhaço da história: Haman era o nome do facínora. O cara tinha complexo de anta e achava que todo o mundo devia kavod para ele. E Mordechai, homem crescido dentro da Torá, não deu mole pro malandro. Haman ficou toda enfezadinha e mandou matar Mordechai e todos os judeus. Sangue ruim não se contenta em fazer mal a um, quer fazer mal a todos. E além de neurótico, Haman era chegado no jogo. Decidiu sortear o dia em que iria matar os judeus, somente para ver que o Rei oculto nesta historia viraria o caldeirão quente para cima dele mesmo. Para deixar bem patente na história que Haman tinha titica de galinha no espírito, o cara ainda oferece dinheiro pro Achashva (que já não era flor que se cheire), em troca da vida dos judeus da época. Que dupla, hein? Sentaram os dois para fumar e beber enquanto despachavam cavalos correio para todo o reino com o auto-de-fé da época.
Capitulo 4
Mordechai, que não era de levar praga para casa, resolveu fazer sinal de luto, pedindo para Hashem nos livrar mais uma vez dos manés de plantão que assolam o povo judeu, por não terem mais o que fazer. A rainha Esther ficou sabendo de tudo, porque na Pérsia a turma gostava de saber da vida alheia, tanto que as janelas nem tinham vidro, só persiana, para ouvir melhor o que os vizinhos falam, o que deu o nome ao país. Mordechai contou tudo a Esther e disse a ela que pedisse clemência ao Achashva e que se ela não pedisse, a coisa ia ficar feia para o Achashva do mesmo jeito. Esther ficou horrorizada quando soube que o Achashva deixou o Haman dar chá de sumiço nos judeus (foi o primeiro chá da Pérsia) e falou para o Mordechai tirar as roupas shlepers que tinha posto em sinal de luto e para dizer a todos os judeus que não comessem nem bebessem durante três (3!) dias e que e suas mucamas fariam o mesmo, assim Hashem, sempre oculto na história, serviria chá... com torradas de Haman. No final da história Haman foi enforcado e ele fez tanto guééh (barulho de quem está sendo enforcado), que isso lhe torrou a orelha - que se tornou uma iguaria saboreada até hoje em Purim. A versão Tropicasher da orelha de Haman leva quindim no recheio.
Capítulo 5
Daí a Esther bolou um plano: ela convidou o Achashva e o Haman para um rango esperto porque sabia que Haman era um bufão e que acabaria se bufando todo na hora certa. Não demorou muito para ele chegar em casa e contar à esposa que era um convidado VIP para o rango da Esther, mas que estava chateado porque todo o mundo se curvava para ele menos o Mordechai (que não era homem de se curvar para ninguém, muito menos para um zero à esquerda que nem o Haman). Então a mulher do Haman, boazinha que era, sugeriu montar uma forca para o Mordechai. Ai ai ai, os inimigos de Israel sempre acabam nos ajudando, montando eles mesmos o palco da sua queda! Haman foi todo contentão para o banquete da Esther com o Ashashva, parecendo um debilóide comendo lesma.
Capitulo 6
O Achashva virava de um lado para o outro na cama sem conseguir pregar o olho. Lá pelas tantas da matina ele não aguentou mais e mandou o lacaio ler o diário dele, aquele com um coração em forma de almofada e um ursinho bordados na capa (eu, hein?). O lacaio começou a ler o diário do Achashva:
"- Querido diário, hoje o Mordechai me salvou de dois desenfelizes que quiseram me puxar o tampete. Será que eu lhe agradeci-lho à autura?"
Vamos e convenhamos que o Achashva não era nenhum Camões. Aliás, ele comprou o trono. Mas vamos ao que interessa, que a história começa a pelar o caldo justamente aqui. Eis que o bobalhão do Haman chegou justamente naquele momento (de noite!) para visitar o rei. Vai ser inconveniente assim lá na Pérsia. Acho que a carapuça serve para o atual "rei" da Pérsia também. E porrrrrrrrrque o Haman veio ver o Achashva? Para pedir a ele que chispasse o Mordechai da situação geral. Nisto, o Achashva pergunta quem está no quintal, manda chamar o Haman e pergunta a ele: " - Haman, meu chapa! Estou em divida com um cara maneiro e quero empatar o lance, o que você acha?"
continua no próximo capitulo, um a um até o dia de Purim.
continua no próximo capitulo, um a cada dia até Purim.
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