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INDEPENDÊNCIA OU LOKSHUN!
" - Quanto está o Lokshun, moço?"
Não raro escutamos esta pergunta nas altas rodas V.I.P. (Very Idishe Parnusse)
O Lokshun, aquele macarrãozinho que a gente põe na sopa já virou sinonimo de dolar, de mercadoria, de tudo o que se pode palpar e trocar.
Pois esta parashá fala de três casos onde o Lokshun tem significado espiritual:
1. A mitsvá de devolver um objeto perdido:
Quando a gente encontra um objeto, o Talmud nos dá uma serie de indicativos de como saber quem é o dono e o que fazer se a pessoa não for identificada ou encontrada.
De acordo com a Torá a gente deve procurar o dono de um objeto de todas as maneiras possiveis e retorna-lo intacto. Pergunta-se a quem perdeu para identificá-lo por sinais.
Quando o objeto perdido é dinheiro, faz-se algumas perguntas que só a gente e a pessoa que perdeu a grana sabe a resposta. Não vale perguntar para puxar o tapete debaixo da pessoa, tipo: "Qual é o diâmetro da careca do Washington na nota do dolar que você perdeu?"
Após algum tempo, já não se vai mais atrás da pessoa para devolver o objeto.
O grande rabi Maharal de Praga explica porque:
"A missão da pessoa neste mundo é evoluir espiritualmente e praticar boas ações. Somente elas, e não os seus bens, a acompanham na sua trajetória deste para o Outro Mundo. Os meios materiais são instrumentos para sustentar o corpo e para alcançar a evolulção espiritual através do estudo da Torá e do cumprimento das mitsvót.A pessoa que se acostuma a se desprender de um objeto material, se acostumará melhor com essa transição e as perdas materias não serão uma tragédia para ela. Por isso Hashem dotou o homem de esquecimento. Após um tempo, simplesmente esquecemos um objeto porque já não é tão importante assim. Nosso aparelho de memória deve nos ajudar a arquivar e lembrar atitudes morais e espirituais".
Segundo o Talmud, só em Independente aquele que se libera dos meios materiais, do lokshun.
Independência do lokshun traz saúde espiritual e talvez até mais lokshun no futuro.
2. A mitsvá de casar... e só se realmente não der certo, de dar o divorcio a mulher.
O rabi Maharal de Praga nos adverte para jamais contrair núpcias por conveniência, pois isso voltará que nem um bumerangue para o conjuge que aplicou o golpe do baú.
Como tudo na vida é passageiro, inclusive o motorista e o cobrador, devemos procurar casamento com a pessoa que se adequa a nossas características morais e espirituais.
Segundo o Maharal, alguem que casa por dinheiro ou status pode ver seu conjuge ir à falencia ou ser desbancado na praça.
E aí, o que fica?
Gurnisht! (nada).
A saída: o divorcio (oy vey!)
Por isso Hashem, que nos deu a mitsvá do casamento, também nos deu uma porta de saída.
Aproveitamos aqui para pedir a todos os homens judeus que se casaram no religioso e que hoje estão separados sómente segundo as leis civis para procurarem com urgencia o rabino mais proximo e providenciarem um Guet para as suas esposas, pois, se vocês já decidiram se separar e não tem volta, o divorcio judaico passa a ser uma mitsvá e Hashem os abençoará com novas oportunidades de casarem com a pessoa certa (bashert).
Telefone do rabino Eliahu Wald, que trata dos divórcio judaicos em São Paulo: 220-0954
Independência do loshkun traz bons casamentos e filhos felizes.
3. A mitsvá de apagar a memória de Amalek:
No final desta parashá, a Torá nos lembra para apagarmos a memória de Amalek, um povo que descende diretamente de Esav, o irmão de Yaacov Avinu.
Esave tenta nos derrubar a cada geração, "... mas o Eterno, Bendito Seja, sempre nos salva de suas garras (da Hagadá de Pessach)".
Exemplos de Amalek: Haman (da história de Purim), a Inquisição, Hitler, Sadam Hussein (cujo nome em hebraico espantosamente tem a mesma numerologia de Amalek = 240).
O que caracteriza Amalek é a sua obstinação em oprimir o povo de Israel de todas as maneiras possiveis, mesmo que saia perdendo com isso, mesmo se fazendo de bonzinho por um tempo.
- Seu Tropicasher, agora me deu um nó no mouse: se a gente apagar a memoria de Amalek, como é que a gente vai lembrar dele para apagar de novo no ano que vem?
Por isso lemos a Torá todos os anos.
Na Hagadá de Pessach dizemos que a cada geração aparece um biruta de plantão que inventa que o povo judeu fez tudo aquilo que ele mesmo faz e, pondo a culpa ni nóis, nos faz sofrer.
Amalek sempre aparece quando esquecemos quem somos, que somos judeus.
Quando esquecemos da Torá, das mitsvót, de elevar o mundo moral e espiritualmente, de ajudar o próximo e criamos dependencia cronica do lokshun, Amalek sobe à tona.
Quando lembramos de Hashem, apagamos Amalek.
Quando esquecemos de Hashem, acontece o vice-versa.
Independência do lokshun traz a paz moral e cívica para o povo judeu.
Um dos nomes de Hashem é Shalom.
O dia que ele criou para vivermos independentes do lockshun é o Shabat.
Neste Shabat, marquemos um encontro especial com a Hashem.
Quer tal trocar o Lokshun verde pelo Lockshun amarelo da sopinha do Cabalat Shabat?
Humm... está uma delícia!
Shabat Shalom!
Paulinho Rosenbaum
E para festejar este momento solene leia "O ISHUV DO LOKSHUN VERDE".
* todos os textos do rabi Maharal foram traduzidos do hebraico pelo tropicasher, do livro "O Enfoque Judaico do Mundo pelo Maharal de Praga", do rabino Zeev Zelcer - Israel 5745 (1985)