B"H  

 Tropicasher

 
  Parashá da Semana: KITETSÊ

nosso e-mail independente, só falta o lokshun tropicasher@jewishbrazil.com     

INDEPENDÊNCIA OU LOKSHUN!

" - Quanto está o Lokshun, moço?"

Não raro escutamos esta pergunta nas altas rodas V.I.P. (Very Idishe Parnusse)

O Lokshun, aquele macarrãozinho que a gente põe na sopa já virou sinonimo de dolar, de mercadoria, de tudo o que se pode palpar e trocar.

Pois esta parashá fala de três casos onde o Lokshun tem significado espiritual:

1. A mitsvá de devolver um objeto perdido:

Quando a gente encontra um objeto, o Talmud nos dá uma serie de indicativos de como saber quem é o dono e o que fazer se a pessoa não for identificada ou encontrada.

De acordo com a Torá a gente deve procurar o dono de um objeto de todas as maneiras possiveis e retorna-lo intacto. Pergunta-se a quem perdeu para identificá-lo por sinais.

Quando o objeto perdido é dinheiro, faz-se algumas perguntas que só a gente e a pessoa que perdeu a grana sabe a resposta. Não vale perguntar para puxar o tapete debaixo da pessoa, tipo: "Qual é o diâmetro da careca do Washington na nota do dolar que você perdeu?"

Após algum tempo, já não se vai mais atrás da pessoa para devolver o objeto.

O grande rabi Maharal de Praga explica porque:

"A missão da pessoa neste mundo é evoluir espiritualmente e praticar boas ações. Somente elas, e não os seus bens, a acompanham na sua trajetória deste para o Outro Mundo. Os meios materiais são instrumentos para sustentar o corpo e para alcançar a evolulção espiritual através do estudo da Torá e do cumprimento das mitsvót.A pessoa que se acostuma a se desprender de um objeto material, se acostumará melhor com essa transição e as perdas materias não serão uma tragédia para ela. Por isso Hashem dotou o homem de esquecimento. Após um tempo, simplesmente esquecemos um objeto porque já não é tão importante assim. Nosso aparelho de memória deve nos ajudar a arquivar e lembrar atitudes morais e espirituais".

Segundo o Talmud, só em Independente aquele que se libera dos meios materiais, do lokshun.

Independência do lokshun traz saúde espiritual e talvez até mais lokshun no futuro.

2. A mitsvá de casar... e só se realmente não der certo, de dar o divorcio a mulher.

O rabi Maharal de Praga nos adverte para jamais contrair núpcias por conveniência, pois isso voltará que nem um bumerangue para o conjuge que aplicou o golpe do baú.

Como tudo na vida é passageiro, inclusive o motorista e o cobrador, devemos procurar casamento com a pessoa que se adequa a nossas características morais e espirituais.

Segundo o Maharal, alguem que casa por dinheiro ou status pode ver seu conjuge ir à falencia ou ser desbancado na praça.

E aí, o que fica?

Gurnisht! (nada).

A saída: o divorcio (oy vey!)

Por isso Hashem, que nos deu a mitsvá do casamento, também nos deu uma porta de saída.

Aproveitamos aqui para pedir a todos os homens judeus que se casaram no religioso e que hoje estão separados sómente segundo as leis civis para procurarem com urgencia o rabino mais proximo e providenciarem um Guet para as suas esposas, pois, se vocês já decidiram se separar e não tem volta, o divorcio judaico passa a ser uma mitsvá e Hashem os abençoará com novas oportunidades de casarem com a pessoa certa (bashert).

Telefone do rabino Eliahu Wald, que trata dos divórcio judaicos em São Paulo: 220-0954

Independência do loshkun traz bons casamentos e filhos felizes.

3. A mitsvá de apagar a memória de Amalek:

No final desta parashá, a Torá nos lembra para apagarmos a memória de Amalek, um povo que descende diretamente de Esav, o irmão de Yaacov Avinu.

Esave tenta nos derrubar a cada geração, "... mas o Eterno, Bendito Seja, sempre nos salva de suas garras (da Hagadá de Pessach)".

Exemplos de Amalek: Haman (da história de Purim), a Inquisição, Hitler, Sadam Hussein (cujo nome em hebraico espantosamente tem a mesma numerologia de Amalek = 240).

O que caracteriza Amalek é a sua obstinação em oprimir o povo de Israel de todas as maneiras possiveis, mesmo que saia perdendo com isso, mesmo se fazendo de bonzinho por um tempo. 

- Seu Tropicasher, agora me deu um nó no mouse: se a gente apagar a memoria de Amalek, como é que a gente vai lembrar dele para apagar de novo no ano que vem?

Por isso lemos a Torá todos os anos.

Na Hagadá de Pessach dizemos que a cada geração aparece um biruta de plantão que inventa que o povo judeu fez tudo aquilo que ele mesmo faz e, pondo a culpa ni nóis, nos faz sofrer.

Amalek sempre aparece quando esquecemos quem somos, que somos judeus.

Quando esquecemos da Torá, das mitsvót, de elevar o mundo moral e espiritualmente, de ajudar o próximo e criamos dependencia cronica do lokshun, Amalek sobe à tona.

Quando lembramos de Hashem, apagamos Amalek.

Quando esquecemos de Hashem, acontece o vice-versa. 

Independência do lokshun traz a paz moral e cívica para o povo judeu.

Um dos nomes de Hashem é Shalom.

O dia que ele criou para vivermos independentes do lockshun é o Shabat.

Neste Shabat, marquemos um encontro especial com a Hashem.

Quer tal trocar o Lokshun verde pelo Lockshun amarelo da sopinha do Cabalat Shabat?

Humm... está uma delícia!

Shabat Shalom!

Paulinho Rosenbaum

E para festejar este momento solene leia  "O ISHUV DO LOKSHUN VERDE". 

* todos os textos do rabi Maharal foram traduzidos do hebraico pelo tropicasher, do livro "O Enfoque Judaico do Mundo pelo Maharal de Praga", do rabino Zeev Zelcer - Israel 5745 (1985)