| PING-PONG
ESPIRITUAL Agora que o Brasil já
ganhou a Copa, vamos às próximas Olimpíadas:
-
Brasil!!, tum-tum-tum, Brasilll!!!
A
mensagem principal dos jogos olímpicos é bela e
motivadora: o importante é competir.
O
termo "Olímpico" vem de
"olim" (sobem, em Hebraico) + pico.
Ou seja, olímpicos são os que sobem no
pico.
E
qual é o único pico em qua nao vencedores,
nem vencidos? Os picos espirituais: o estudo da
Torá, aliado à prática da caridade e das 613
Mitsvót.
Quando
todos sobem os picos espirituais, a paz mundial
é invocada e ficam felizes e gringos e
tropicanos.
Inspirados
por este acontecimento mundial, o Tropicasher
pesquisou os alguns esportes espirituais
praticados pelo povo judeu, que recomenda ao
nosso público leitor, par manter em forma os
músculos da mente e do coração:
SALTO
TRIPLO COM TEFILIN:
modalidade de quem está com pressa de terminar a
reza ou chegou atrasado na sinagoga: pula
rapidamente três partes da reza e consegue
termina-la em 30 segundos.
TRAVESSIA DO MAR VERMELHO SEM BARREIRAS:
consiste em atravessar um mar no qual as águas
se dividem em duas paredes e os competidores
atravessam no seco. Israel ganhou o ouro nesta
modalidade mas usou-o para fabricar um bezerro,
desclassificando o time por uso de dopping moral
e obrigando-o a treinar por 40 anos para poder
participar da outra prova, a travessia do Rio
Jordão. Nessa ganharam, levaram o ouro para
Jerusalém e construíram o Beit HaMikdash.
TRAVESSIA DO MAR VERMELHO COM BARREIRAS:
o Talmud compara encontrar o par certo para o
casamento com este episódio da Torá, no qual se
atravessa um mar de shiduchim (apresentações
com fins matrimoniais) enquanto uma turba de
palpiteiros tenta te empurrar um shiduch que
"é a pessoa ideal para você",
causando várias contusões emocionais e
desclassificações conjugais.
CHACOALHAMENTO
DE LULAV:
quando chega Sucót nem todos tem a benção de
morar em Israel onde uma caixinha com Arba Minim
(Etrog, Lulav, Adás e Aravá) do bom e do mais
casher te sai por 15 dólares e menos. Fora de
Israel essa bela e fácil mitsvá pode sair uma
bela granosa, fazendo com que usemos um recurso
da halachá (lei judaica) que nos permite
emprestar os Arba Minim, chacoalhá-los com a
devida brachá e devolvê-los ao dono. Espírito
de equipe aqui é primordial.
LEVANTAMENTO DE COPO DE KIDUSH:
um dos esportes mais populares e fáceis de
praticar no povo judeu, mas onde uma certa dose
de cuidados é necessária para não derrubar o
vinho na toalha novinha. A maneira oficial de
levantar o copo é com a mão em concha embaixo
deste. Praticado nas modalidades: rápido (vai
logo que o pessoal está morrendo de fome!);
médio (vai tranqüilo que ainda estão colocando
a comida na mesa) e lento (cara com mania de
Chazan).
REVEZAMENTO
MULTI-FAMILIAR: está da hora de entrar o
Shabat e se acumulam tarefas caseiras tais
verificar se a comida já está pronta, a
molecada já tomou banho e desligou o computador,
os hospedes já chegaram e não estão
tropeçando nos brinquedos que a molecada deixou
espalhados na sala, não falta nenhum botão na
roupa de Shabat, já jogaram o lixo. A família
começa a se revezar nestas tarefas para poder
terminar tudo antes do Shabat. Ganha a família
que conseguir chegar na hora de acender as velas
sem ficar com a voz rouca de tanto gritar coisa
como: - Moishele, desliga esta meleca de
video-game de uma vez e vai tomar banho!!!
Mas
de todos os esportes mesmo o mais milenar é o
Ping Pong espiritual, que funciona assim:
Ping:
uma geração cumpre toda a Torá direitinho, mas
esquece alguns detalhes importantes como
construir um lar nacional para o povo judeu em
Israel.
Pong:
Vem a geração seguinte e larga boa parte da
Torá e as mitsvót porque acham os que os
antecederam quadrados (embora redondamente
enganados), mas cria sechel (juízo), se esforça
e constrói uma pérola de país que é Israel de
hoje.
Ping:
Então vem uma terceira geração e fica cansada
dessa e da bonança material em que caíram e
volta para a Torá e as mitsvót, as vezes
atropelando tudo no caminho.
Pong:
Daí vem alguém e faz um programa de TV ou
escreve um livro lascando o couro nos judeus
ortodoxos, de maneira caricata e ruim. Que pena.
Ping:
Então alguém escreve outro livro e
chama os judeus laicizados de nomes estranhos,
assina que é rabino embaixo. Que feio.
Pong:
Aí o filho deste rabino se revolta e vira
shmunk.
E
ping e pong. E pong e ping.
As
pragas em coro que as doze tribos de Israel dizem
nesta parashá, falam das pragas que cairão
vertiginosamente caso o povo judeu fique no ping
pong e esqueça hora o seu lado nacional e
estético hora o seu lado religioso e ético.
Olha
que bonito Moshé rabeinu faz para passar esta
mensagem:
Metade
das tribos de Israel fica em cima de uma montanha
declamando as pragas enquanto a outra metade fica
em cima de outra montanha respondendo: - Amén!
Responsabilidade
mutua. Sem ping-pong espiritual...
todos juntos vamos... prá frente Israel,
Israel, com as bênçãos do Céu!
O
rav Kook, cujo falecimento se deu no dia 3 deste
mês, Elul, que precede Rosh Hashaná, advogava o
fim do ping-pong judaico das gerações, através
da construção de um Estado de Israel moderno,
vivo, ético e com olhos na Torá. Agora sim,
passamos a praticar o esporte dos nossos
antepassados: caminhada unida ao longo da
eternidade.
Avraham
Avinu e Itzchak Avinu caminharam juntos quando
Hashem disse a Avraham para elevar o seu filho
numa montanha. Ainda que Avraham tivesse entendido
que era para sacrificar o filho, não houve
rebate nem ping-pong: A Torá simplesmente nos
informa que eles caminharam juntos!
Avraham,
um judeu da diáspora cujo pai era idólatra e
seu filho Itzchak, um sabra que jamais conheceu a
diáspora e que nasceu num lar com Torá e
mitsvót! Caminharam juntos durante 3 dias -- com
ou sem barreiras!
E
voltaram campeões.
Porque caminharam junto com Hashem.
Esse é o significado do numero 3, tão
importante no Judaísmo.
Quando
dois judeus estão juntos e Hashem é o terceiro
nesta parceria, todos levam o ouro espiritual e
só há ganhadores.
Rav
Kook se elevou ao Céu em 3 de Elul para nos
lembrar que sempre que quisermos caminhar juntos,
é só por Hashem no time.
Zaiguezint!
De "Ki Tavó" para
"Aqui tá a Vó":
Esta edição é
dedicada à memória um da Vovó Cecília, a bobe
do Tropicasher,
que ensinou seus
filhos e netos a manterem sempre o espírito
de equipe.
Que no Gán Éden em paz descanse.
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