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Porção desta semana: ITRÓ
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A Parashá desta semana relata o
encontro de Moisés com seu sogro Itró, que, após praticar todo o tipo de
idolatria e, ouvir dos milagres e prodígios que Hashem operou para o bem do
povo judeu, converte-se ao Judaísmo. Não por acaso esta porção, que
descreve o primeiro encontro do o povo judeu com a Torá, recebendo o Decálogo
no Monte Sinai, recebeu o nome deste primeiro converso. Isto é uma mostra da
universalidade da Torá: suas prescrições quanto ao recebimento de seus
Mandamentos, tanto para judeus quanto para os que não são
judeus, são precisas e eternas, justas e consagradas. Ser judeu não
implica somente em nascer judeu, mas em receber sobre si a responsabilidade
do cumprimento dos preceitos da Torá e o compromisso em transmiti-las a
outros judeus e à próxima geração. |
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A
Torá não é somente o livro de leis, normas de conduta, história e fé dos
judeus, mas o próprio Mapa da Criação. Diz o Talmud, que o Eterno
esboçou o plano do universo escrevendo-o sob a forma de uma Torá (Orientação),
codificando dentro dela a vida de todos os seres humanos desde o primeiro até
o último homem. O total de mandamentos que incumbe o povo judeu como um todo
é 613. Aos que não são judeus cabe cuidar dos Sete
Mandamentos dos Filhos de Noé, como explicaremos adiante. Adicionalmente
a estes 613 mandamentos, que incluem hábitos alimentares, atitudes morais e
cívicas, relações patrão-empregado, comportamento na guerra, contratos
conjugais e herança, até e contatos mais diretos com a alma e com D-us,
somam-se as leis rabínicas, como estão descritas no Talmud, que foi compilado
na antiga Babilônia e em Israel, entre os séculos 2 e 6 da Era Comum. A Torá
propriamente dita foi revelada por D-us a Moisés no dia 7 de Sivan de 2448 da
Criação do Mundo, data que os judeus celebram hoje como Shavuot. Os
Dez Mandamentos, melhor dito, o Decálogo, é o primeiro contato feito por D-us
com todo um povo – os judeus, pois Ele já havia feito contatos com indivíduos
isolados, como Abrahão, Isaac e Jacob. Aos pés do Monte Sinai, logo ao
deixarem o jugo do faraó, os judeus comprometem-se a cuidar os 613 estatutos
da Tora durante todas as gerações, seja em Israel, sua pátria nacional e
espiritual e onde quer que estejam, respeitando os povos que os acolheram,
sem perder sua identidade, e compartilhando sua mensagem com estes povos por
meio de Sete Regras Divinas fundamentais, que o Talmud chama de Sete
Mandamentos dos Filhos de Noé. Uma organização mundial sediada em Pittsburgh,
USA, se encarrega de difundir estes valores, que podem ser apreciados em
inglês no site www.asknoah.org Conta
a tradição judaica, que D-us ditou aos judeus somente os dois primeiros dos
Dez Mandamentos, deixando os demais e o restante da Torá aos encargos de
Moisés, pois a Voz Divina era de uma energia tão intensa ao revelá-los que as
almas dos judeus despegavam-se dos corpos, ansiando por unir-se a Ele. Por
este motivo, os judeus pedirama a Moisés que ele, e não o Altíssimo, continuasse
a revelar a Torá. É
por isto que a própria Torá diz: “Torá Tsivá Lanu Moshé” – Moisés nos
ordenou a Torá. Isto se explica de acordo à numerologia judaica: O
valor numérico da palavra Torá em hebraico הרות,
é 611. Ou seja, 611 mandamentos foram ditos por Moisés. Somando-se aos outros
dois ditos pelo próprio D-us, temos 613 mandamentos, que perfazem o total dos
mandamentos da Torá, dos quais podemos cumprir menos de um terço em nossos
dias, pois a maior parte deles só pode ser observada em Israel, quando existe
um Templo Sagrado em Jerusalém. Moisés teve muito desgosto quando soube que o
Eterno não permitiria que ele entrasse em Israel, pois desejava cumprir todos
os estatutos da Torá que ensinou aos judeus durante os quarenta anos que
estiveram juntos no deserto do Sinai – e sabia, que eles só poderiam ser
cumpridos na sua totalidade na terra da Israel, após a construção do Templo,
primeira tarefa à qual se entregaria Moisés. Poder cumprir todos os 613 Mandamentos como um povo unido, e livre do jugo das nações, na Terra de Israel, num mundo povoado por Bnei Noach, vivendo em paz e serenidade, é o anseio milenar do povo judeu pela vinda do Mashiach (Messias). |
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Paulo Rogério Rosenbaum – Sociólogo pela
Universidade de Haifa e estudioso do Judaísmo Clássico. |