B"H
TROPICASHER, Torá com Gostinho Tropical
ERETZ NOSTRA: Uma história na Colonização
Judaica no Brasil.
PRIMEIRO CAPÍTULO: ESTAVA RUÇO NA RÚSSIA
Rua dos Italianos, Bom Retiro, século
passado
O negócio da tecelagem prometia para a família Rosenbonni, judeus ítalo-poloneses.
Mas lhes faltava mão de obra especializada.
O bairro era populado só por italianos, que estavam mais interessados na indústria das massas e no futuro do Parmera, por isso era urgente agitar a etnia local.
Então mandaram buscar um pessoal da sua aldeia natal, Ana-teve-cá, que ficou famosa por causa de uma turista portuguêsa que tinha mania de talhar o seu nome em tudo que é árvore da cidade.
Na velha Rússia, o rebelde Motale comprara o último
bilhete no convés de um navio que partira para os Estados
Unidos, onde ele se juntaria com seus tios, que tinham um
pizzaria casher em Miami.
Mas quando Motale desconfiou que havia pago muito
barato pela passagem, já era tarde demais.
O navio já havia cruzado o Equador. Estavam indo para o Brasil.
- Oy vey exclamou Motale. Que burado yo fish! Agora yo fica suzinia neshta navio que num tem nada prá fazer e nem posso ir no sauna do Braica porque yeshte ainda num zishte. Oy!!
Mas haviam pessoas em situação ainda pior que a de Motale: uma moça da aldeia vizinha, cujos pais haviam comprado três bilhetes, os perde de vista logo no primeiro dia da viagem:
- Julia Chana, fica aqui e cuida dosh malash que yo vai compra falafel com papai.
Mas mamãe... papai... não há falafel na Rússia, vamos, voltem!
Tarde demais.
Seus pais haviam entrado por engano num navio Egipcio que os levaria diretamente a Alexandria. O falafel estava tão apimentado, que o capitão do navio acabou tendo que lhes dar um up-grade para viajarem na primeira classe do navio, porque não entendia Idish e pensava que eles eram da Aristocracia alemã, a julgar pela maneira como o xingavam.
Assim, Julia Chana viajou sozinha para o Brasil, e seu coração entristeceu.
Mas a sua sorte logo mudou: Motale estava duro e para poder sobreviver, organizava competições sobre conhecimentos do Talmud e de quem conta a história Chassidica mais impressionante, onde fez um bom guelt ainda antes de pisar em terra firme.
Motale não sabia patavina nem de Talmud e nem de Chassidismo, mas cobrava uma moeda por pessoa que vinha assistir aos torneios, porque como não tinha mais nada para fazer no navio a não ser enjoar no convés ou tossir no porão, todo o mundo disputava um lugar naquilo que mais tarde ficaria conhecido como "O Programa Motale Santos Vem Aí".
Motale ficou com esse apelido porque cada vez que viam uma ilha alguém ia logo lhe avisar, puxando-o pela manga e dizendo: - Motale... Santos vem aí!!
Com isso queriam dizer que a cidade de Santos se
acercava.
Com o tempo ele ficou conhecido como Motale Santos aproveitou o nome para fazer fama e fortuna.
SEGUNDO CAPÍTULO: QUEM SABE MAIS TORÁ, O HOMEM OU A
MULHER?
Julia Chana se sentia tão sozinha durante a viagem que
resolveu vasculhar a biblioteca do navio para ver se achava algum
livro interessante.
Achou um compendio de livros judaicos chamado Il
Tropicachere, la Tora com sapore Tropicale, uma
coletânea de ensinamentos especiais de Torá editada em idish do
Brás.
Julia Chana resolveu rachar as sombrancelhas em cima
deste compendio noite e dia, até que se achou a altura de
participar dos concursos de sabedoria judaica ao lado de Motale.
Julia Chana se deteve com esmero na parashá da Torá que
se chama Shemini,
lá no meião do Livro Vaikrá, terceiro livro da Torá, e
estudou todas as Leis sobre os animais casher e não-casher.
Se inscreveu no concurso sobre conhecimentos de Leis da
Cashrut, e acabou ganhando o consagrado troféu Éshet
Chayil Tropicasher, disputado estudiosas de Torá de todo o
mundo.
Motale, impressionado com o charme espiritual e a beleza
interior de Julia Chana, a convidou para sentar-se a seu lado na
mesa, num Shabatão para Singles que estava promovendo no navio.
Qual não foi a surpresa de Julia Chana quando viu que
outra mulher estava sentada á mesa de Shabat ao lado de Motale,
sendo que a mesa só tinha três cadeiras e só tinha eles três
no Shabatão.
-
Motale, du bist a gantze caradurale und hob nisht vergogna na
cara!
-
Julia Chana, meidale mia, você non capisce niente, io te vou
explicar, bambinale!
Motale não teve tempo de explicar que a senhora sentada a
seu lado era uma costureira de vestidos de noiva que queria
apresentar a Julia Chana. Desolado, a procurou por todo o navio,
mas em vão.
Julia Chana resolveu descer em Fernando de Noronha, para
não ter mais que topar com Motale.
FINAL E SOF DA ESTÓRIA
Motale já procurava por Julia Chana por todo o Bom
Retiro mas não havia meios de achá-la.
Resolveu apelar para o S.U.S.T.O. (Serviço Ùnico de
Sondagem Tropicasher Onipresente), porque estava disposto a tudo
para poder encontrar o seu Bashert (destinada).
Levou o maior susto: Julia Chana havia viajado para a
Flórida para trabalhar no esplêndido H.Y.T.: Hotel Yeshivá
Tropicasher, um hotel acoplado a um seminário rabínico.
No H.Y.T., os estudantes trabalhavam em todas as
funções do hotel, para assim cumprirem vários tópicos que
estudavam, tais como: Receba sempre toda a pessoa com um
sorriso (Talmud).
O Hotel Yeshivá Tropicasher foi planejado numa ilha
com duas praias e uma cascata que desagua no Mikve feminino - o
banho de imersão que devolve regularmente a gratificação à
vida conjugal.
Julia Chana conseguira um bico como gerente do Mikve.
Um dia, quando saia do Mikve deparou com Motale, que
levou o maior susto ao lhe ver e bateu em disparada na direção
contrária.
-
Motale!
Motale!
Sono ieu
Giulia Chana, amore
ingale!
-
Má io sé que é você, Giulia Chana, é por eso mesmo que sono
fuggindo!
-
Non fuja amore ingale, mein shtikale kneidale, mein beigale
dormido!
-
Giulia Chana, você me traiu os nossos sentimentos.
-
Porque diz isso, ingale mio?
-
Porque vi você saindo do Mivke feminine de donde só sai mulher
casada!
-
Ingale mio, non casé com ninguem porque tinha esperança de te
encontrar
e olha que de lá para cá já fui em tudo que é
Shabatone e só me apresentaram os megliores partidos!
-
Enton você saiu do Mikvê porque estava se convertendo meidale
mia?
-
Ingale mio, desde quando você me conosce?
-
Desde antes de lo mio bar-mitsvá.
-
E desde quando a tua famiglia, la tua mishpuche, conosce la mia?
-
Desde umas vinte e cinco gerações, meidale mia.
-
Então de onde você tirou questa ideia que io sono me
convertendo? Io devia era converter la tua cara num aeroporto de
bofetada, ingale mio. Sono trabalhando qüi no Mikve para
economizar dinheiro para las nostra Chupá, mio belo shleper !
-
La nostra Chupá! Enton você está me pedindo em casamento,
Giulia Chana?
-
Estou né, se for esperar você dar o primeiro passo morro
solteira ingale mio!
-
Giulia Chana, sono ton felice! Mazel Tov! Vou já providenciar il
rabino e os convites!!
E
assim, Motale Rosenbonni e Julia Chana contrairam núpcias no
salão nobre O Jangadeiro de Yerushalayim do
Hotel Yeshivá Tropicasher, na presença de seus familiares de
todos os cantos do mundo e ate do Outro Mundo, como reza a
tradição judaica.
Todos os bachurei yeshivá (estudantes da Torá) que
trabalhavam no Hotel foram convidados e Julia Chana aproveitou
para fazer o shiduch entre um deles e uma prima sua que veio do
Canadá.
E todos foram morar em Israel em Tropicasher
City cada qual no seu quinhão de Eretz Israel, cada um
debaixo de suas vinhas e debaixo de suas figueiras, como
prometeram nossos profetas. Amén.
Ah
Éretz Israel
Éretz Nostra!!!
Sonhar não custa nada.
O Faraó sonhou e Yossef virou Vice-Rei.
Vai sonhando que uma hora dessas chega a tua boa hora
também, ingale mio!
E viveram com guezint, parnusse e naches para sempre!
Paoligno
Rosenbaum
Obs- as
letras CH em palavras hebraicas são lidas como rr de carro ou j
em espanhol
-