B"H
TROPICASHER,
Torá com Gostinho Tropical
nosso e-mail audio-visual: tropicasher@jewishbrazil.com
Parashá da Semana: DEVARIM
Devarim quer dizer "coisas" e "dizeres" ao
mesmo tempo.
Quando a gente diz algo, está materializando muita coisa.
Nesse âmbito, Moshé rabeinu alertou a rapaziada que estava
prestes a entrar em Israel da importancia daquilo que a gente diz
e mais ainda, de como escutar aquilo que os outros dizem.
"Aí reside o segredo de todo o sucesso da nossa sociedade,
escutar a causa dos vossos irmãos e julgá-los com
justiça", alertava Moshé.
Quando a gente fecha a boca e abre o mecanismo de escuta,
descobre um mundo novo, um prisma diferente da situação e cria
uma empatia imediata pela pessoa que nos fala.
Quanta coisa boa e quantas relações humanas são criadas
somente prestando atenção no que as pessoas tem a nos dizer?
Já reparou como a gente presta uma atenção corujal nas pessoas
que tem poder ou que podem nos emprestar aquela graninha que
estava faltando?
Quanto então devemos prestar atenção naqueles que nos
querem bem e nas pessoas espiritualmente mais evoluídas, como
Moshé rabeinu?
No discurso de despedida do povo judeu que abre o Sefer
Devarim, Moshé começa sua preleção enumerando os lugares por
onde o povo judeu deixou uma marca de descontamento ou de
amolação desnecessária.
Com isso conseguiu chamar a nossa atenção para um método
eficaz e ao mesmo tempo não constrangente de explicar a uma
pessoa que ela fez algo errado: indicar levemente um fato
paralelo ou feito por outra pessoa.
A maioria das pessoas não gosta de levar bronca ou de serem
criticadas, a menos que tenham trabalhado o seu ego para tal,
como os Tsadikim.
A Torá nos obriga a mostrar ao próximo que fez algo
errado, mas nos alerta para só indicarmos nos outros naquilo que
nós mesmos consertamos em nosso comportamento, que seja para seu
estrito bem e na condição que esta pessoa se considere
suficiente ligada a nós como para nos escutar.
"Não xingue os surdos" - adverte a Torá. Isso se
refere às pessoas que não nos escutariam ou que fariam
exatamente o contrario, de birra.
Moshé rabeinu começou o seu discurso de despedida pedindo ao
povo para desenvolver sua habilidade para escutar.
Escutar nos faz mais sábios, evita muita confusão e promove a
paz.
Quem cochicha o rabo espicha, mas quem escuta será escutado.
Não rimou, mas a idéia pegou.
Agora rimou.
Zaiguezint,
Paulinho Rosenbaum
este Tropicasher foi baseado no texto do rabino Moshe Grylak, do livro "Reflexões sobre a Torá", Livraria e Editora Sefer, pag. 231, com a permissão da mesma.