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UM CONTO CHASSÍDICO TROPICASHER
 
 
    Hoje é 18 (Chai) de Elul, dia do Yourzeit (falecimento) do fundador do chassidismo, o Baal Shem Tov.
 
    O Baal Shem Tov revolucionou o Judaísmo moderno, estimulando os judeus a um fervor e interação total e incondicional corpo e alma com a Torá, ao mesmo tempo que sabia lidar com a letargia e idiosincracia de cada individuo em particular.
 
    Um dos ensinamentos básicos do Baal Shem Tov ,muito usado no Tropicasher, é a visão de que Hashem Se esconde ou esconde Sua Providência em todos os lugares e em todos os acontecimentos. A nós cabe revelar e divulgar a Sua Presença no mundo, tirando uma lição proveitosa de cada coisa que nos acontece e enxergando a D-us por trás de todos os eventos.
 
    Como hoje também é dia 11 de Setembro, data da imensa tragédia perpetrada pelo inimigo de plantão do mundo civilizado, vamos contar um pouquinho da nossa história de Ashgachá Pratit (Divina Providência), relacionada a este traumático evento.
 
    Nas minhas idas e vindas entre o Canadá e os Estados Unidos atrás de um bom Shiduch, fui parar em Manhattan, Nova Iorque, no dia 6 de Setembro de 2001, para me encontrar com uma moça idish, datiá e de boa família que estava de partida para Baltimore, mas que, a pedido de um amigo comum, concordara em compartir comigo uma pizza americana casher no Central Park, enquanto conversávamos. Entre um pedaço de pizza (oleosa e pingando catchup) e outro, eu disse a ela: " - Sinto o ar desta cidade sufocante. É algo que não sei explicar". E ela respondeu, " - Engraçado, também estou sentindo a mesma coisa, como se fosse uma sensação ou pressentimento de algo ruim". Continuamos a comer a pizza e tomar refrigerante com gosto de cereja, sem dar mais bola ao assunto, crentes que nosso feeling era comum em Manhattan.
 
    O papo estava bom mas a moça precisava ir a Baltimore, então ficamos de nos encontrar em outro dia. No dia seguinte falamos pelo telefone e ela disse que não voltaria tão cedo para NY e que deixássemos o Shiduch para uma outra vez.
 
    Meio que frustrado, fui visitar uns amigos que moravam no Brooklin, a bem da verdade, perto da avenida Eastern Parkway número 770, onde encontrei uma brasileira tupinikosher que eu conhecia a alguns anos. Como ela também era solteira, havíamos combinado de nos encontrar no Shabat à tarde, para Shiduch. Para quem ainda não sabe, quando um rapaz e uma moça combinam de sair de Shiduch, o ponto de vista abordado não é o de pura diversão, mas de verificar se há compatibilidade para se formar um casal. É a maneira sábia como a Torá trata o relacionamento homem/mulher. Funciona quando levado a sério. 
 
    Decidi ficar mais uns dias em NY para sair com ela. Uma família me hospedou estes dias e convidou para o Shabat. Chegada a hora do encontro, cadê da moça surgir no horizonte? Esperei uma, duas, três horas, circulei um pouco pelas ruas do bairro e gursnisht! Como era verão, sobravam duas horas até Minchá, então decidi tirar um cochilo. Sonhei com um rabino que nunca havia visto e que me dizia para trocar de passaporte. Hômi, seu rabino!! Trocar de passaporte??? Acordei meio assustado.
 
    Lembrei que havia entrado nos Estados Unidos com passaporte brasileiro e que sempre usava meu passaporte azul e branco para entrar no Canadá. Era isso! Eurecasher! Chega de Shiduch oleoso pingando catchup, vou voltar para o meeeeeu Canadá.
 
    O Shabat terminou, voltei para a casa daquela família, e eis que de repente.... um ônibus de turismo estava estacionado em frente a ela com uma placa escrito: MONTREAL. Indaguei sobre preço e horario de partida. O onibus partiria dali a duas horas e custava 40 dolares só de ida (que para mim era volta).
 
    O onibus partiu do Brooklin as 23:00 horas do dia 8 de Setembro de 2001. Ao passarmos pela ponte do Brooklin, uma cena indescritível chamou a minha atenção: as duas Torres estavam totalmente apagadas! Nenhuma luz acesa, em dois edifícios com mais de 110 andares cada! Achei isso muito estranho. Enquanto eu fitava as Torres da janela do ônibus, sentia um comichão na barriga, algo ruim mesmo. Mais ao norte da Ilha de Manhattan, o Empire State Building reinava absoluto, todo iluminado!!! Cogitei em minha mente por quê isso, já que á Sábado à noite para ambos, e todos eles eram edifícios comerciais.   
 
    Uma voz soou dentro de mim, aquele tipo de voz sem palavras, mais como uma sensação, como que dizendo: " - Diga adeus às Torres Gêmeas, você não as tornará a ver. Agora só o Empire State existirá." 
 
    Viajei com essa sensação estranha até Montreal, e aquela sensação de sufoco voltou, e só parou quando atravessei a fronteira do Canadá, precisando para isto... trocar os passaportes. Era dia 9 de Setembro de 2001.
 
    No dia 10 de Setembro liguei para o Rabino Moshé Bergman, na epoca rabino da Sinagoga Bnei Akiva, hoje Mizrachi, um dos maiores líderes judaicos que já pisou no Brasil, e quem o conheceu sabe disto. Perguntei ao Rabino Bergman se não seria melhor voltar ao Brasil para resolver de uma vez esse negócio de Shiduch, mas ele insistia em que permanecesse no Canadá
 
    Eu tinha uma passagem de Baltimore para São Paulo, marcada para o dia 11 de Setembro de 2001. Como o trecho Montreal/Baltimore era caríssimo, precisaria tomar um avião de Montreal para Nova Iorque e outro de NY para Baltimore, a fim de baratear o trecho. Mas o Rabino Bergman aconselhou ficar em Montreal, então eu fiquei. Isso se chama Emunát Chachamim.
 
    O resto você já sabe. Dia 11 de Setembro de 2001. O islamofascismo bombardeia as Torres Gemeas e muda a História.
 
    Adiei a viagem para o Brasil em dois meses e voltei a ligar para o Rabino Bergman pedindo um conselho. " - Desta vez faça o que teu coração ditar" - disse o rabino. Meu coração ditou voltar para o Brasil e ficar perto da minha família e comunidade, num momento em que o mundo virava de cabeça para baixo. Consegui trocar minha passagem vencida por uma Miami/São Paulo por uma diferença irrisória, mas teria que resolver sozinho o trecho Montreal/Miami.
 
Agora veja como trabalha a Providência Divina:
 
    Eu havia me apresentado em Sucót com dois dos meus Sambas Judaicos na Sinagoga Westmount de Montreal. O rabino da Sinagoga disse que a txurma gostou e se poderia fazer algo por mim como retribuição. Eu disse que uma passagem para Miami resolvia tudo, meio que de brincadeira. Mas ele levou a sério e mandou emitir a passagem.
 
    Ao final, voltei para o Brasil dia 20 de Novembro de 2001, com poucos dolares no bolso mas cheio de idéias, experiências e aventuras por terras judeo-gringas. De lá para cá já são 18 livros de Judaísmo traduzidos para o Português, dois sites e os três CDs de Samba Judaico que vem (assim dizem) alegrando corações judaicos em todo o mundo. Fora os Shows.
 
    Até hoje não sei quem é aquele rabino que me veio no sonho, nem porque a aeromoça da American não disse nada quando passei para a primeira classe no võo para São Paulo, na maior caradura.
 
    Mas sei que Hashem é Maravilhoso e cheio de bençãos para os Seus filhos, onde quer que eles estejam, é só erguer os olhos para o Céus e dizer: "Hodu leHashem kitov, kileolam chasdó!"  (Louvem  Hashem, pois Ele é bom e Sua bondade é Eterna!)
 
Paulinho Rosenbaum
18 de Elul de 5766. 
 
 

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