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Sefer Bereshit - Parashat CHAIÊI SARAH
A parashá começa contando que Sarah viveu "sete e vinte e cem anos".
Isso lá é modo de dizer a idade de alguém?
Neste caso é.
Aos vinte anos, Sara tinha a pureza de coração que teve aos sete
e aos cem anos Sarah tinha a beleza e candura que tinha aos vinte.
Sua hospitalidade, a dignidade com a qual se postara ao lado de Avraham nos seus momentos mais difíceis e a prontidão para fazer uma mitzvá, fizeram de Sarah Imenu (nossa Matriarca), o pilar do caráter da mulher judia.
Sarah faleceu ao escutar sobre o sacrifício de Itzchak. Avraham quis enterrá-la em Israel. Como V.I.P. (Very Important Patrício) da época foi logo recebido por Efron, que pensou estar passando uma rasteira em Avraham ao cobrar 400 shekalim de prata (na época uma grana braba) para deixar Avraham enterrar sua querida esposa na MEARAT HAMACHPELÁ, que Efron pensou ser uma caverna sem valor.
Avraham fez questão de pagar as 400 moedas de prata na frente de todo o mundo, registrando nos anais da História a propriedade sobre aquela caverna. O documento de registro passou de mão em mão por todos os seus descendentes até os nossos dias e é conhecido como Torá.
Fora Sara, na MEARAT HAMECHPELÁ estão enterrados Avraham, Itzchak, Rivka, Jacob e Lea.
O PRIMEIRO "SHADCHAN" DA HISTORIA.
Lembra da Yente, do "Violinista no Telhado"?
Então, ela era a "Shadchanit" (casamenteira) da comunidade.
Esta profissão começou nesta parashá: Eliezer, braço direito de Avraham é enviado em missão especial para sondar uma esposa para Itzchak. Eliezer é o Shadchan pioneiro de Israel
Avraham faz Eliezer jurar por Dus que ia trazer uma noiva lá de Aram Naharaim e advertiu Eliezer para não trazer mulher de Canaã, porque não tinham boa reputação.
Avraham dispensa até a própria filha do confiável e monoteísta Eliezer.
O Gaon Lev Eliahu Z"L explica o motivo: Mesmo que as meidales da sua comunidade fossem monoteistas, isso não era suficiente.
Avraham queria se certificar que a pretendente de Itzchak fosse uma "mentsh", o que em Idish quer dizer "gente". De que adiantaria uma esposa monoteista e mal caráter?
Avraham mandou Eliezer até a casa de Betuel, seu parente, como quem preferisse trazer uma boa moça Idish do Interior, a casar o filho com uma "princesa" da Capital.
Agora como é que o Eliezer ia fazer para escolher a esposa certa para Itzchak?
É aí que HaShem entra na jogada. Diz o Talmud: "Todos os dias sai uma Voz do Céu e anuncia: Fulano serve para filha de Sicrano". (Alias, "Fulano" vem do hebraico "Ploni").
Antes de chegar a Aram Eliezer pede a HaShem para guiá-lo até a pretendente de Itzchak.
Na entrada da cidade havia um poço publico que servia também de ponto de encontro.
Ao se aproximar do poço Eliezer diz a si mesmo: "Se alguma moça se oferecer para puxar água do poço para mim e para os meus dez camelos, isso é um sinal do Céu que essa moça tem o caráter de uma Matriarca de Israel".
Aí veio a Rivka e fez exatamente isso. Bingo!
Eliezer logo se apresentou como sendo assessor de Avraham, o que lhe abriu as portas da casa da Rikva. Ser chegado em Avraham Avinu na época era estar com tudo.
PODE ARRANJAR CASAMENTO SEM O CONSENTIMENTO DA NOIVA?
No "Violinista no Telhado", tinha uma cena onde Tevie arranja o casamento de uma filha com o açougueiro casher da comunidade. O que faz então? Pergunta a ela se concorda.
Quem viu o filme ou assistiu a peça lembra que a moça não concordou e deu o maior rolo.
Após acertar o casamento de Rivka com Itzchak, seu pai lhe pergunta: "Está disposta a ir embora com Eliezer?". Rikva responde: -Sim! Só então arruma as tralhas e sobe no camelo.
Aqui reside uma base da Torá: Tudo está previsto, mas temos o livre arbítrio (Ética dos Pais).
Ainda que saia uma Voz do Céu e anuncie que Fulano serve para a filha de Sicrano, caso o rapaz ou alguém a seu auxilio a encontre, ela tem de estar de pleno acordo em unir-se a ele.
Este mundo é o mundo do livre arbítrio.
A Torá é o farol que o ilumina e mostra a direção da Vida.
Desejo a todos os solteiros e solteiras do mundo que tenham a mesma oportunidade, bom senso e fortuna que tiveram os nossos patriarcas, Itzchak e Rivka.
Shabat Shalom
Paulinho Rosenbaum